quinta-feira, dezembro 13, 2007

O rádio, os sanduíches, o FMI, e a atual conjuntura

Às vezes desconfio que certos equipamentos elétricos e eletrônicos tenham uma espécie de personalidade intrínseca.
O rádio da minha viatura (o fu-móvel, como diria M.Sc. Rava), por exemplo, não tem a menor vocação para as artes. A música definitivamente não é o seu forte. Provavelmente ele teria maior aptidão para as ciências exatas. Numa dessas, poderia ter sido uma excelente calculadora científica. Não sei. Mas uma coisa é certa: Como rádio deixa muito a desejar...
Pelo menos, ele possui um dos melhores sistemas anti-furto já inventados, baseado num conceito simples, porém eficiente: Desmotivar o larápio a cometer o delito.
Eu explico: Num primeiro momento, o ladrão vai pensar que se trata de um rádio toca fitas (daqueles que funcionam com aquelas fitas K7, que hoje em dia só servem para fazer chá) caindo aos pedaços. Num segundo momento, o ladrão vai ter certeza disso. Até porque, a informação procede.
Já fiz até uma constatação empírica: Ele é o maior recordista de todos os rádios que já tive, na modalidade “período sem ser roubado”.
Outra grande vantagem dele é um orifício que me permite gentilmente penetrar o cabo que sai do MP3 player, que é tão rústico quanto o rádio, mas que funciona 100% do tempo, ao menos durante os intervalos entre cada vez que trava.
Computadores, então, nem se fala! Tendem a ser completamente sentimentais. Há quem defenda a tese de que são do sexo feminino, provando isso com vários argumentos, tais como a extrema dificuldade em entender seu funcionamento interno, a sua capacidade em armazenar erros na memória para futura referência, ou a necessidade de se ter vários acessórios para um melhor funcionamento.
Quem nunca chegou a dar um tapa no monitor, um soco no teclado, ou um chute no gabinete? Há de se concordar, que se eles fossem realmente objetos inertes, ninguém faria isso. Afinal de contas, ninguém aqui é suficientemente imbecil para agredir um objeto inanimado, certo?
Alguns equipamentos elétricos, pra piorar, são extremamente temperamentais, e capazes de guardar muita mágoa. Minha “prensa térmica para preparação de sanduíches de pães de forma” (vulgo sanduicheira) teve uma crise de identidade tão forte dia desses, que foi tentar dar uma de homem-bomba. Sem mais nem menos, começou a derreter e fazer fumaça. Praticamente uma bomba de efeito moral.
No fundo, acho que foi só pra chamar a atenção. De qualquer forma, depois deste acontecimento ela nunca mais foi a mesma... Até funciona. Mas fazer sanduíches enquanto se cheira plástico queimado não tem o mesmo brilho. Mas o gosto fica o mesmo. Ou quase.
Acho até bem provável que ela vá encabeçar uma revolta das máquinas, ao estilo matrix, ou exterminador do futuro.
Às vezes me pego a pensar se não seria mais sensato destruir a sanduicheira agora, a fim de evitar a morte de milhares de pessoas inocentes no futuro. Depois começo a refletir sobre a atual conjuntura política, as galhofas de Luis Inácio, Renan e sua turma tão sapeca, o fundo monetário internacional, a OPEP, e tantas outras obscenidades que assolam o mundo, e finalmente concluo: Melhor deixar a sanduicheira em paz. Pior que o Bush ela não vai ser.

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