terça-feira, setembro 21, 2010

Poema de quase-amor

Sempre que as vejo por aí, minha alma se inquieta.

Quero poder tocá-las, senti-las, profaná-las enfim.

Se me distraio com elas, facilmente me torno poeta,

Fico a rir à toa, num gozo sincero, intenso e sem fim.


Loura devassa, morena salutar, ruiva despudorada,

Todas devem ser apreciadas, como há de se convir.

Só a pressa, velha inimiga do ato, deve ser evitada,

Antes que as bocas se toquem e tudo venha a fluir.


Uma ocasião tão imprescindível, trivial e universal,

Não poderia ter dia, hora ou minuto de encerramento.

E mesmo que, cedo ou tarde, tudo chegue ao final,

Enquanto dure, que seja eterno este nobre momento.


Há por aí quem eleja umas poucas como preferidas,

E até mesmo, iludidos pelo charme fingido, vendido,

Alguns, entre tantas avulsas, têm uma só escolhida:

Sob juras de amor, são para sempre comprometidos.


Já não sei mais se por egoísmo ou se por pura poesia,

Evito, sempre que posso, ter que compará-las entre si.

Pois se todas têm seus encantos, não há hierarquia,

E o sincero desejo é tê-las todas, as de longe ou daqui.


Mesmo quando, por tantos os motivos neste mundo,

Faz-se necessário terminar com a companheira atual,

Comigo não carrego qualquer ressentimento profundo,

Pois mesmo se breve, diverti-me com todas elas, afinal.


E nesse nosso mundo tão moderno, onde tudo é reciclado,

Aquela que vai hoje volta amanhã ou depois, já renovada.

Pra você, pra alguém longe, ou pra esse amigo ao seu lado,

Saborosa e cheirosa, pronta para ser novamente provada.


Há algumas pra poucos, e bem sei que talvez não as tenha,

Mas agradeço às que tive e peço que alguma comigo esteja,

Pois as quero muito, e espero que delas nunca me abstenha.

Eu preciso você sempre comigo, minha boa e velha cerveja!

Marcadores: , , , , , , ,