terça-feira, setembro 21, 2010

Poema de quase-amor

Sempre que as vejo por aí, minha alma se inquieta.

Quero poder tocá-las, senti-las, profaná-las enfim.

Se me distraio com elas, facilmente me torno poeta,

Fico a rir à toa, num gozo sincero, intenso e sem fim.


Loura devassa, morena salutar, ruiva despudorada,

Todas devem ser apreciadas, como há de se convir.

Só a pressa, velha inimiga do ato, deve ser evitada,

Antes que as bocas se toquem e tudo venha a fluir.


Uma ocasião tão imprescindível, trivial e universal,

Não poderia ter dia, hora ou minuto de encerramento.

E mesmo que, cedo ou tarde, tudo chegue ao final,

Enquanto dure, que seja eterno este nobre momento.


Há por aí quem eleja umas poucas como preferidas,

E até mesmo, iludidos pelo charme fingido, vendido,

Alguns, entre tantas avulsas, têm uma só escolhida:

Sob juras de amor, são para sempre comprometidos.


Já não sei mais se por egoísmo ou se por pura poesia,

Evito, sempre que posso, ter que compará-las entre si.

Pois se todas têm seus encantos, não há hierarquia,

E o sincero desejo é tê-las todas, as de longe ou daqui.


Mesmo quando, por tantos os motivos neste mundo,

Faz-se necessário terminar com a companheira atual,

Comigo não carrego qualquer ressentimento profundo,

Pois mesmo se breve, diverti-me com todas elas, afinal.


E nesse nosso mundo tão moderno, onde tudo é reciclado,

Aquela que vai hoje volta amanhã ou depois, já renovada.

Pra você, pra alguém longe, ou pra esse amigo ao seu lado,

Saborosa e cheirosa, pronta para ser novamente provada.


Há algumas pra poucos, e bem sei que talvez não as tenha,

Mas agradeço às que tive e peço que alguma comigo esteja,

Pois as quero muito, e espero que delas nunca me abstenha.

Eu preciso você sempre comigo, minha boa e velha cerveja!

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quarta-feira, abril 15, 2009

Da ressaca

Uma boa ressaca convém ser devidamente degustada.
A leve sensação de desligamento das coisas mundanas, a confusão mental e a lentidão de raciocínio, quando não acompanhadas de mal estar físico em níveis intoleráveis, chegam ao limiar do aprazível.
Afinal, a mesma não deixa de ser um estado de entorpecimento, mesmo que escoltada por porções de entusiasmo infinitamente inferiores às usualmente registradas na véspera.
A ressaca perfeita exige um dia de céu cinza, podendo ser eventualmente acompanhada de uma garoa leve. O clima deve, na medida do possível, se adequar às condições físicas e espirituais do protagonista.
Ressacas em dias de céu muito límpido costumam gerar conflitos existenciais insuportáveis, seguidos de balancetes de cunho moral, promessas irrealizáveis, suicídios, entre tantas outras baboseiras do tipo.
Há ainda quem considere a ressaca como o próprio castigo divino, que compensaria o deleite exagerado da véspera, uma suposição que pode ser facilmente desmentida através de duas simples considerações: O mundo definitivamente não é justo; Jesus bebia vinho (mesmo quando só havia água disponível) e mesmo assim precisou ser crucificado.
A verdadeira ressaca deve ter, sob pena de tornar-se contagiosa, índole puramente introspectiva.
Pois muito embora a bebedeira seja uma modalidade esportiva habitualmente praticada de forma coletiva, a ressaca é invariavelmente individual. E não é passível de alienação, absolvição ou procrastinação (a não ser que se emende outro porrete, o que nem sempre é possível, infelizmente).
Enfim, a ressaca tem caráter personalíssimo e de cumprimento sumário.
Bebeu, tomou. Simples assim.
Alguns até classificam-na como doença. Doença incurável, que conste nos autos.
Afinal os sintomas podem ser combatidos com inúmeras panacéias milagrosas, sintéticas ou não, mas a essência ressaca sempre permanece ali, constante, permanentemente alojada na alma sujeito, até segunda ordem do criador.
Particularmente, recomendo, além dos analgésicos, antiácidos e isotônicos de praxe, algum samba bem sincopado de Nelson Cavaquinho, Wilson Batista ou Paulinho da Viola, preferencialmente na voz de João Nogueira (os do Paulinho podem ser por ele mesmo).
Para situações clínicas mais graves, quando nada mais funcionar, recomendo Lupicínio Rodrigues na voz de Jamelão, porém mantendo sempre certa distância de armas de fogo, objetos cortantes, grandes alturas, e afins, que é pra garantir a ressaca da próxima semana.

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sexta-feira, fevereiro 20, 2009

A noite fatídica

Mais uma tentativa para a revista Piauí. Desta vez a frase ficou no finalzinho (em negrito).
Agora é ter fé. No mais, segue abaixo o despropósito da vez.

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Certos diálogos são assaz perigosos.
Normalmente iniciam-se com raciocínios aparentemente inocentes, e embora nunca carreguem grandes pretensões, vez ou outra acabam por alterar o status quo do universo de forma inexplicavelmente abrupta, distorcendo a ordem natural das coisas de tal maneira que a ciência moderna ainda não pôde explicar. Einstein, se vivo, chamaria de urucubaca.
Eles eram casados há certo tempo, não tinham filhos, e viviam sob ares de relativa harmonia.
Em tempos modernos, cabe esclarecer: Trata-se aqui de um casal heterossexual, do tipo standard.
Havia perspectiva de domingo, e o astro rei brilhava altivo.
Como procedimento de praxe para sábados ensolarados, ao raiar do dia (que aos sábados acontece em meados das onze horas) ele telefonara para alguns confrades, a fim de convocá-los para o que paradoxalmente chamavam de “churrasquinho com bate-bola”, um eufemismo dos mais ordinários, por óbvio: A dieta líquida era a única modalidade religiosamente respeitada nestes eventos.
Ela normalmente aproveitava a deixa para fazer compras no shopping.
E a vida seguia na mais corriqueira serenidade, até que o acaso, esse maroto, entra em cena:
- Querido, já pensou no que vai fazer com os sessenta minutos que vai ganhar hoje à noite?
- Como? Sessenta minutos? Bebeu, sua doida?
- Hoje acaba o horário de verão, seu grosso!
- Beleza! Uma hora a mais de sono!
- Estava pensando em outra coisa... Tem uma loja nova de calcinhas no shopping e eu vi uma cinta-liga linda...
- Cinta liga, é? Já vi tudo. Negócio fechado. Meus sessenta minutos são seus.
E assim ela se entreteve pelo resto do dia. Fez esfoliação na pele, depilação a laser, passou os mais curiosos cremes nas mais curiosas partes do corpo, tomou banhos relaxantes com óleos aromáticos, fez um tratamento capilar completo e arrematou a obra com um vestido preto cujo tamanho deixaria Hugh Hefner corado.
Ele tomou um banho. Pensou em cortar as unhas do pé, mas ficou com preguiça.
O alvoroço das conversas exaltadas e do tilintar dos copos deu lugar ao sossego. Todos já haviam ido embora, e a paz reinava na casa.
Ele a esperava na cama, enquanto ela caprichava nos últimos retoques na maquiagem. Levou mais meia hora, mas o resultado ficou sensacional.
Sua entrada precisava ser triunfal. Entrou no quarto ao som de uma música envolvente, dançando graciosamente equilibrada nos saltos altíssimos, que realçavam ainda mais as suas belas pernas. O ambiente era sutilmente iluminado por velas e perfumado com incensos.
Eis então que ela percebe um ruído estranho no ambiente. Extravasando inocência, ela ainda chega a pensar que o som do quarto pudesse estar com defeito.
Só percebeu o ocorrido quando viu ele roncando sob o travesseiro babado. Roncava genuinamente. Dormia o sono dos justos, esparramado na cama como uma porca que amamenta seus filhotes, fazendo, inclusive, ruídos característicos.
Ela fechou a porta com vagar extremo e se afastou, furtiva, como quem abandona um doente que acaba de adormecer à meia-noite.
E foi exatamente durante seus sessenta minutos extras, devorando um pote de sorvete, que ela decidiu largar suas aulas de aeróbica. Ele não merecia.

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sexta-feira, janeiro 23, 2009

Considerações sobre a Festa Pomerana e seus principais sintomas

O grande problema em beber como se não houvesse amanhã é que, ao menos na grande maioria dos casos, há amanhã.
E o porvir costuma ser cruel.
O Criador, sádico pela própria natureza, nunca deixa barato: A contraprestação de ordem mediúnico-punitiva costuma vir em forma de náuseas, dores de cabeça, aversão à luz e todos aqueles velhos sintomas que já muito bem conhecemos.
Portanto, aproveitar bem o estado ébrio é condição sine qua non de um bom porrete.
Conseguiu se embriagar? Transcendeu àquela parca ilusão chamada sobriedade? Então aproveite, companheiro! Faça o que tu queres, pois, caso não houver testemunha, é tudo da lei!
Afinal, posto que o castigo divino seja realmente inevitável (desconsiderando o suicídio como solução para a ressaca), é preciso regozijar-se o máximo possível durante a véspera.
É hora de correr pelado, ligar para toda a agenda do seu telefone, encarnar São Jorge (e enfrentar o dragão), rir sem motivo, chorar sem motivo, brigar sem motivo, xingar sem motivo, gritar sem motivo e fazer todas aquelas coisas que você sempre quis fazer mas nunca encontrou motivo.
O álcool etílico age como uma espécie de lubrificante social de densidade ímpar, cujos benefícios vão desde o embelezamento da pessoa alheia até o auto-enriquecimento sem que para isso haja necessidade de qualquer aumento do capital financeiro do cidadão. Um enriquecimento tácito, digamos, criado pela própria jovialidade de um espírito recém renovado.
A famigerada “saideira” é um assunto à parte: Apenas em raríssimos casos é efetivamente a última da noite. Normalmente chega amiúde, num ciclo que facilmente tenderia ao infinito caso não existissem limitadores financeiros, cronológicos, morféticos e hepáticos, que não surgem necessariamente nesta ordem, mas cedo ou tarde acabam dando cabo à brincadeira.
E vali-me exatamente deste raciocínio no último domingo, a fim de não me abalar com o estado de colapso no qual esta velha carcaça se encontrava.
Minha capacidade cognitiva se desprendeu deste meu amendoinzinho, que chamo carinhosamente de cérebro, para vagar por outras bandas. Dadas as circunstâncias dos eventos do último fim de semana, acredito que ela (a capacidade cognitiva) tenha ido lá pros lados da Bavária e adjacências, a fim de degustar um bom chopp de trigo.
Voltou aos poucos. Domingo à noite eu já era capaz de repetir meu nome (o primeiro, pelo menos) e fazer contas simples de adição e subtração (com o auxílio de uma calculadora, claro). Na segunda-feira, tudo quase normal, fora aquela leve sensação de fora-do-ar, que beira o agradável. Sobrevivi, enfim.
O evento em questão é anual, realizado no município de Pomerode, e chama-se FESTA POMERANA.
Sem qualquer tipo de hipocrisia, afirmo sem titubear: festa é surpreendente.
Uma espécie de Oktoberfest (versão tupiniquim, de Blumenau), porém bem menor, melhor organizada, menos caótica, com um povo mais bonito, e, como nem tudo são flores, mais familiar (a parte boa é que ano que vem o jovem Otto vai junto).
Pomerode, cidade simpaticíssima, é conhecida como “a cidade mais alemã do Brasil”. Em época de festa ou não, vale conhecer.
Lá reside um povo hospitaleiro, tranqüilo, divertido e o melhor: que adora chopp.
Por aquelas bandas não é nada raro escutar os habitantes nativos conversando em alemão (ou naquela mistura fantástica, do tipo: Es chuvt! Macht die Janelen zu!)
Aliás, não me surpreenderia se descobrisse que eles (os pomerodenses) usam aqueles trajes típicos durante o ano todo. Eles ficam bem de suspensórios.
Cabe ressaltar que além do chopp fenomenal, da música típica, da dança típica e dos deliciosos e leves pratos típicos, para quem também gosta de loiras bêbadas (típicas), simpáticas e de trajes típicos, a festa também é uma boa pedida. Eu parei com estas coisas: Sou bom indivíduo, cumpridor fiel e assíduo dos deveres do meu lar, bom funcionário, cumpridor dos meus horários, enfim: Um amor quase exemplar.
Tratando-se de chopp, na festa há “apenas” seis opções disponíveis, mas escolhidas a dedo.
Apenas, claro, posto que se fôssemos comparar com a versão Blumenauense de Outubro, não haveria como vencer o famigerado “pavilhão das cervejarias regionais” (bossa recente, frise-se), que não sei bem quantas opções disponibiliza, mas fica perto da casa dos vinte.
De qualquer forma, havia quatro modalidades de chopp Schornstein (cuja fábrica fica na própria cidade e é aberta a visitas), e duas da Antactica.
As opções Schornstein eram:
Natural: o “standard” da marca, quiçá o melhor.
Cristal: parecido com o natural, porém filtrado, portanto mais leve e translúcido.
Ale: avermelhado e forte, como bom Ale que é.
Escuro: um chopp com maior teor de álcool, mas ao mesmo tempo suave e adocicado. Se já é bom em clima quente, deve ser excepcional em clima frio.
A Antarctica participou da peleja com suas opções tradicionais: chopp claro e escuro, que dispensam maiores comentários. Como fazia muito tempo que não via chopp da Antarctica, adorei rever estes velhos conhecidos, de tempos idos, mas nunca esquecidos.
Reza a lenda que os pomerodenses, essas notórias máquinas de beber chopp, consomem mais o produto da Antarctica do que o regional (Schornstein), que já é excelente. Uma briga entre titãs (em termos de qualidade, que é o que importa) do mundo da cerveja, portanto.
Na dúvida, peça qualquer um, que não há como se arrepender.
Falando-se em arrependimento, no que tange à festa, só me arrependo por não ter comparecido nas vinte e cinco edições anteriores. Uma lástima.
Como bom desportista da área, e, aliás, como de praxe, pratiquei a boa e velha prova de “revezamento de chopp”. Os resultados foram excepcionais e não houve qualquer tipo de incompatibilidade entre as opções mencionadas.
Nosso time foi composto por uma delegação de peso, que mesmo desfalcada (faltou um lendário motoqueiro malvado e sua respectiva), fez bonito.
Tati, a simpática, bateu recordes de simpatia e conseguiu fazer amigas de infância com mais facilidade do que andar pra frente (andar pra frente já não era tão fácil àquelas horas).
Sir Gora, o lépido, não perdeu o foco da festa (yeah, o chopp!) em nenhum momento, muito embora tenha quase perdido o rumo em alguns. Mas nada que outro chopp não tenha resolvido.
Don Diego de la Vega, que conheci por ocasião da festa (gente finíssima, aliás), representou bem a ala solteira, mas, infelizmente, não marcou o seu clássico “Z” em nenhuma moçoila, ao menos em termos de conjunção carnal (beijo na boca é coisa do passado).
Claudinha, minha queridíssima respectiva, agüentou bravamente o tranco e, mais uma vez, garantiu seu lugar ao céu agüentando as idéias geniais deste que vos escreve as mal traçadas, claro, após uns goles a mais.
Quanto a mim, quem me conhece sabe que não sou de beber muito: no máximo uma tacinha de vinho com a família no natal, ou em ocasiões especiais (dia da árvore, dia do índio, aniversário de emancipação de Pirapora do Bom Jesus, e por aí vai...). Mas mesmo assim, abstêmio convicto, quiçá impulsionado pelo calor da festa, confesso que acabei por tomar um ou outro chopp. Se não me engano, seis. Ou sete. Ou não.
Pra quem quiser se aventurar, a festa vai até este fim de semana (26/1). Bem conversadinho, ainda dá tempo.
No mais, fica meu sincero agradecimento e um abraço a todo pessoal de Pomerode, em especial ao exímio tomador de chopp e mais novo amigo, ilustríssimo Sr. Alexandre, lá da Pousada Max. Uma boa dica de hospedagem, aliás. Fica perto da festa e o café da manhã é excelente.
Voltaremos próximo ano, claro, se o Criador fizer vista grossa e se o fígado permitir...
Ein Prosit!

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terça-feira, outubro 07, 2008

ensiMEMEsmando

Dia desses, fui intimado pela ilustríssima Mel (http://guardacontigo.blogspot.com/) para a capciosa prática dos meme (uma palavra peculiar, não?), e, muito embora não seja nenhum estudioso da memética (sim, isso existe), resolvi acatar a idéia.

Abaixo, seguem as instruções do tal MEME.
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"8 sonhos que a gente tem que realizar antes do grande encontro com Deus"

Regras:
• Escrever uma lista com 8 coisas que sonhamos fazer antes de ir embora daqui;
• Passar o meme para 8 pessoas;
• Comentar no blog de quem lhe passou o meme;
• Comentar no blog dos nossos(as) convidados(as), para que saibam da "intimação";
• Mencionar as regras.
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Infelizmente não tenho como garantir nada em relação ao encontro com Deus. De qualquer forma, caso alguém tenha a oportunidade, favor mandar um abraço pra Ele.
De qualquer forma, quem me conhecer relativamente bem saberá onde me encontrar assim que eu partir desta.
Aliás, para os que forem me encontrar por aquelas bandas, lembrem-se: Convém levar alguma cerveja, já que, aparentemente, o clima é bem quente...
No mais, seguem as respostas.

1)Tomar uma garrafa de vinho do porto (obrigado, Herr Frahm) em companhia do jovem Otto, quando este estiver no auge dos seus 21 anos (e eu, portanto, a carregar 47 primaveras).
2)Perceber, ao final da garrafa de vinho do item anterior, que o jovem Otto é realmente um cara bacana.
3)Não me envolver em qualquer tipo de guerra (ao menos na modalidade clássica, quando pessoas matam outras pessoas sem motivo aparente, e tal), mesmo que para tanto precise desistir de ser brasileiro, guatemalteca, suíço ou senegalês.
4)Conhecer todas (ou ao menos uma boa parte) as praias brasileiras em companhia da jovem Cláudia (o Otto pode até ir junto, caso não tenha outros compromisso).
5)Viajar com a patroa para alguns países peculiares, como Índia, China, Nova Zelândia, Coréia, México e afins (idem aos parênteses do item anterior).
6)Ganhar, na medida do possível, um bocado a mais do que eu venha a gastar, objetivando futuros gastos com supérfluos.
7)Me aposentar a fim de dedicar-me exclusivamente à atividades supérfluas, como, por exemplo, viajar, beber cerveja e incomodar pessoas.
8)Escolher uma das praias do item quatro a fim de estabelecer residência e, quem sabe, pendurar as chuteiras de vez.

Sobre um eventual convite para outras oito cabeças, visto que tenho nove blogs de nove pessoas nos links aí do lado (ver o tópico “OUTROS DEMENTES”), e foi uma delas que me passou o tal MEME, restam exatamente oito, que receberão os avisos, aos moldes das regras acima descritas:

# O Fantástico Mundo de Felipe Belão Iubel

# O blog da Mah

# Letranemia
# Corujo's Economia Evolucionária
# Srta. Rosa
# Idéias despedaçadas
# Unconscius Book
# Divagações Pseudo-sérias

E, basicamente, é isso. Quem quiser formular seus 8 desejos, que fique a vontade. Os comentários estão aí pra isso.
Sem mais para o momento, subscrevo-me cordialmente, certo de sua compreensão,

Castor

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domingo, setembro 28, 2008

Movimento Anti-Atrofia Hepática*

É sempre a mesma história todo final de semana: João Paulo ouve o mesmo sermão da mãe, vê o olhar de reprovação da mesma tia-avó, escuta a vizinha mandando a família se apegar a Deus e lá está mais uma corrente de oração em mais um sábado de confraternização etílica junto com o pessoal do escritório.
Sempre antes das 20 horas, Dona Mariluce se joga aos pés do filho e implora para que ele pense no fígado, outrora tão vermelhinho e sorridente como um daqueles cartões smile.
Quase todo domingo, Luís Gustavo, depois de ter tomando um porre, acorda de cueca, esparramado no sofá, com o mesmo olhar de “ressaca introspectiva,” enquanto ouve o mesmo sermão de Dona Marlene.
Mas, ora essa, nós somos aquilo que fazemos repetidamente. Excelência, então, não é um modo de agir, mas um hábito.
Quando Aristóteles (Ari, para os íntimos) proferiu esta grande máxima da filosofia, nunca imaginaria que tal citação, sem maiores pretensões artísticas, se tornaria uma verdade etílica universal. Afinal, o fígado, tal qual qualquer órgão do corpo humano, carece exercícios cotidianos a fim de apresentar um bom desempenho.
Assim como aquele tio de meia idade que, no auge do mais familiar dos churrascos de domingo, se escala pra pelada da gurizada a fim de “fazer bonito” relembrando a saudosa época em que jogou de volante nos áureos tempos do combate Barreirinha (quando era conhecido pela alcunha de “Zezão quebra-osso”), e que, irremediavelmente acaba, após alguns (poucos) minutos de profunda humilhação, por ser hospitalizado às pressas com uma torção no joelho esquerdo, uma hérnia de disco, e um princípio de parada cardíaca, as atividades de devassidão (leia-se aqui bebedeira) devem ser devidamente exercitadas. Como manter um fígado funcionando devidamente se você não o faz trabalhar?
A bebedeira de final de semana não é só mais um ato mundano, não é apenas uma forma da secretária quase aposentada e reprimida fazer um striptease em meio ao pessoal do escritório. A bebedeira é medicinal! Terapêutica!
Porém, evidentemente, a não ser que estejamos na Sibéria (neste caso, recomenda-se vodka sem gelo, a não ser que esta já tenha virado gelo, que, não se havendo alternativa, pode ser facilmente comido), obviamente as condições normais de pressão e temperatura hão de ser respeitadas.
Muito embora a palavra “limite” enseje um significado tanto quanto subjetivo quando não empregada para fins matemáticos, principiantes devem se portar como tais, e, a fim de não terem seus currículos vergonhosamente maculados, até mesmo antigos medalhistas devem conservar certa parcimônia em questões etílicas, ao menos quando já desabituados ao mundo de Marlboro.
Tudo isso para que, ao final da empreitada alcoólica, dois martinis não acabem fazendo você se sentar no chão do banheiro e chorar copiosamente enquanto interpreta os maiores sucessos do Roupa Nova, um pouco antes de acordar com a maior ressaca do mundo, em local incerto e não sabido.
Enfim, isso e mais todas aquelas coisas que fazem parte do incerto conjunto de coisas que não deviam acontecer, mas que, acredite: acontecem nas melhores famílias. Nas piores famílias, então, nem se fala...

*Texto escrito em parceria com uma jovem que responde pelo nome de Maíra, é tão albina quanto notável, escreve num blog cujo endereço é http://vidaemposts.wordpress.com/, bebe Bacardi Apple sem gelo (entre outros), e presta consultoria no ramo de aleatoriedades a este que vos escreve.

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terça-feira, julho 01, 2008

Junte-se aos bons, e será um deles

Tudo o que aqueles dois queriam era uma noite de algazarra sincera, como aquelas que costumavam acontecer nos tempos idos, nunca esquecidos.

Relembrar um passado recente, antes de largarem a vida desregrada - ao menos em parte...- e morarem sob o mesmo teto, juntos com aquele anãozinho simpático - acho que é um gnomo - que responde pelo nome de Otto. Meio mala às vezes, mas no geral, gente finíssima.

Afinal de contas, há poucos meses atrás, acordar de ressaca no sábado ou no domingo era coisa de praxe. Cotidiano. Procedimento de rotina.

As ressacas eram inconvenientes, por óbvio, como todas as ressacas devem ser. Mas ainda assim, suportáveis.

Algumas bem leves, das que proporcionam uma zonzeira sutil, e aquela leve sensação de fora-do-ar, que beira o agradável.

Já em casos mais extremos, a coisa era de arrepiar os cabelos das regiões mais longínquas do corpo do sujeito, e a simples menção da palavra "álcool" - substituir a palavra "álcool" pela(s) bebida(s) da véspera - trazia desejos de morte ou de dor, no maior estilo Lupicínio, a quem parafraseio nesta ocasião, a fim de melhor ilustrar estes sentimentos:

(...) Deixa-me sofrer que eu mereço,
Por um pouco que padeço,
Não paga um terço do que fiz,
É tão grande, tão horrível, meu pecado,
Que eu sendo assim castigado,
É que me sinto feliz. (...)

Claro, sempre há pessoas com os nervos de aço, sem sangue nas veias e sem coração, que não conseguem entender a profundidade espiritual da ressaca. Mas, sinceramente, não sei se passando o que eu passo, não lhes venha qualquer reação: Afinal, o método empírico é sempre muito mais didático.

Enfim, o dia seguinte nunca é realmente agradável, mas também não é nada que um coquetel Molotov contendo aspirina, paracetamol, engov, hipocler, eno, pó de café e porções homeopáticas de vodka não resolvam.

E foi assim que eles, num estado de iluminação espiritual – em alguns bairros, chamado de "estado de embriaguez" -, decidiram que se fazia necessária uma festinha. Com urgência.

Uma noitada sem maiores pretensões, com local certo, mas sem quaisquer cronogramas.

Uma noite pra escutar um bom som, beber uma boa bebida, e, com a devida calma e serenidade que a atividade merece, falar muita merda. Travar aquelas conversas que começam numa discussão sobre a cor do rótulo da cerveja, e que, passando por assuntos tais quais a metafísica, a crise no oriente médio, o carro movido à água, ou a melhor marca de chimarrão, nos fazem concluir que a migração das andorinhas não é mais como era antigamente, como nos bons e velhos tempos, quando os videogames tinham um botão só. Ou você pulava, ou atirava. Ninguém pula atirando! Não é de Deus!

Para tanto precisavam, basicamente, de duas coisas: Uma data, e um local.

Abster-se-iam de motivos. Afinal, é de conhecimento notório que as melhores festas não têm motivo algum. Faz-se indispensável apenas o "animus festandi", que junto com algumas doses de vodka ao sair de casa, criam no cidadão os níveis necessários de entusiasmo.

Um bom dia, um bom bar.

Embora suas companhias recíprocas já fossem suficientes para locupletarem seus objetivos no evento, e até que se prove o contrário, na vida, chamariam ainda, quem cruzasse seus caminhos em tempo hábil.

Estariam automaticamente convidados todos que se habilitassem para tanto. As metas estavam traçadas: Beber cerveja, falar merda e rir à beça.

O dia, que fosse sexta-feira, posto que costumava dar sorte. O anãozinho que arrumasse pouso na casa das vovós, que estão aí pra isso mesmo.

E assim foi decidido

Agora, que se faça cumprir.

O lugar chama Empório São Francisco. Um dos melhores bares da capital paranaense, pelo menos na humilde opinião deste que ora escreve, embora o mesmo tenha lá suas razões nostálgicas para tanto. Mais informações: http://www.emporiosaofrancisco.com.br/

A sexta-feira será esta, agora, do dia 4 de julho de 2008.

A solenidade terá início quando o bar começar a ficar bacana, e a saideira só vem quando for vontade do criador. Salvo proposta irrecusável.

Junte-se aos bons, e será um deles.


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Devagar me ensinaram a não correr perigo
Por Marcelino Galeano

Devagar me ensinaram a não correr perigo
A esquecer das dores
A trabalhar desde cedo
A dignar-se pelo labor sem pensar
Só o labor de suar
Fizeram-me acreditar
Que abateria o medo.
Sonhar era coisa de vadio
E aflito era coisa de ingrato
Provar que não era frio
Era locupletar-se com a família num domingo debruçado no prato
Quiseram assim, mas não conseguiram,
Deixaram escapar suas vísceras
Ao remédio destemido não mediram
As mínimas.
Choraram no seu túmulo
Mas continuaram sorrindo amarelo
E profundo.
Da vida à graça
A morte, à desgraça.
não poderia ser diferente?
Alguém não poderia fazer o contrário
Parar de botar banca de crente, otário
E gritar aos pombos da praça
Que paz, não se mede com farsa
Paz se sustenta no temerário
Paz é alegria de ser livre
De não acorrentar-se nas provações
Do príncipe.
De esquecer a medida improfícua
Daquilo que não existe
Paz, é ver belo
o olho que chora triste.

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segunda-feira, maio 12, 2008

Da canalhice intrínseca do ser humano

O bar estava cheio, e os sons de copos tilintando, conversas animadas e risadas nada suaves já inundavam o ambiente, como sinal de que o grau etílico dos presentes já beirava o nível sete da escala Richter.
Ele, que àquelas horas já tinha o status quo de dono da festa, visto que ao menos oitenta por cento do quórum do boteco estava ali para comemorar a passagem de mais uma primavera em sua vida, já sentia na alma as benesses de uma ou outra cerveja, tomada entre um ou outro copo de vodka.
Assim, um tanto desnorteado, mas ainda assim cheio de contentamento, resolveu parar para observar a cena.
Ele realmente gostava de bares. Era um ambiente no qual se sentia extremamente confortável e bem-vindo, ainda mais ali, num ambiente repleto de amizades.
Aquele momento mágico, em que o tempo havia parado por alguns instantes, só foi quebrado por uma sensação ruim na garganta, uma coceira inconveniente, que foi logo diagnosticada como sede. Assim, ao ver seu caneco vazio, apressou-se em se deslocar até o balcão do bar, onde ficava a chopeira.
Porém, foi barrado durante o percurso por um de seus colegas, que até aquele momento conversava afoitamente com uma donzela desconhecida, com seus vinte e tantos anos, quiçá três décadas completas. A moça aparentava uma boa safra, e ao menos àquela altura da madrugada, parecia razoavelmente bem feita de corpo.
Logo, era mais do que suficiente para receber alguns galanteios.
Cabe lembrar que este colega sempre fora um notório entusiástico da sinceridade exacerbada, e levava isso ao limiar da ignorância. Por assim dizer, sempre teve uma opinião invariavelmente generalista e ortodoxa em relação às mulheres.
Trocando em miúdos, era um camarada tanto quanto machista, e, ao menos no tocante aos métodos de sedução do sexo oposto, certamente não era o melhor exemplo de conduta ética.
Então, eis que este certo colega (cuja identidade ficará incólume a fim de evitarmos quaisquer inconvenientes) exclama num tom que esbanjava sinceridade, resguardando certo ar de amargura:
- Meu chapa, olhe só! Ela não acredita... Mas pode falar a verdade: Sou ou não sou viúvo?
Ele, escutando tal despropósito (afinal de contas, o outro nunca havia sido casado), percebeu um sorriso sutil escapando no canto da boca do interlocutor, e captou a mensagem de imediato. Tomado de ímpeto teatral, sem nem pestanejar, responde-o com feição de reprovação:
- Quantas vezes eu já te falei pra esquecer este assunto, camarada!? Isso já aconteceu há quase um ano, e quando finalmente você resolve sair um pouco pra tomar uma cerveja e se divertir, começa a relembrar o passado! Eu sei que você gostava muito dela, mas não há mais o que se fazer! Bola pra frente, companheiro! Tente esquecer isso, cara!
A resposta do colega foi um olhar de gratidão seguido de um olhar de tristeza, este segundo dirigido à moça, que notoriamente acreditou na história e se arrependeu sinceramente de ter duvidado da viuvez alheia. Aliás, como ela poderia ter sido tão insensível?
Após a incrível demonstração de seus dotes teatrais na resposta, ele se retirou de perto do casal, a fim de extravasar todas as risadas que estavam presas em algum lugar entre a laringe e o esôfago, e para, enfim, abastecer seu caneco.
Para os que desejam testar a técnica, ficam algumas dicas.
Provavelmente um “Sim, ele é viúvo” já teria dado conta do recado, mas nessas horas convém fazer tudo parecer o mais real possível. Titubear? Jamais!
Segundo o próprio inventor, a teoria que subsidia o esquema é justamente a de que as mulheres não querem homens solteiros, por saberem que muito provavelmente são canalhas (como estatisticamente já devem ter comprovado); não querem homens casados, por terem certeza que são canalhas; e também não querem homens separados, visto que alguém já teria atestado a canalhice destes.
Assim, no rol de opções (ao menos das opções “standard”, por assim dizer), a única modalidade realmente aceitável é a do sujeito “viúvo”, pois já foi casado por livre e espontânea vontade uma vez (e, portanto, pode ser uma segunda vez), mas infelizmente, por um acaso do destino, teve a vida de sua companheira ceifada de modo trágico e injusto (há de se apimentar a história, de acordo com a capacidade criativa de cada um).
Cafajeste? Desprezível? Talvez...
De qualquer forma, quanto à eficácia do plano, tendo em vista a meta inicial, pode-se dizer que os resultados foram ótimos, tanto do ponto de vista lúdico quanto amoroso...

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segunda-feira, fevereiro 25, 2008

The Meaning of Life*

Era uma noite quente e abafada, daquelas extremamente propícias para se degustar de uma boa cerveja gelada.
Tão propícia, que o despretensioso happy hour já adentrava a madrugada, e a conversa tomava rumos tanto quanto desconexos, certamente não recomendados pela Cruz Vermelha, Direitos Humanos ou Anistia Internacional.
Os demais, alguns dominados pelo cansaço, outros por certa submissão conjugal, já haviam retornado ao conforto e à tranqüilidade dos seus respectivos lares.
Mas não aqueles dois. Eram os últimos dos moicanos, e prosseguiam afoitos em suas prosas, discutindo acaloradamente sobre o aleatório, e entre um gole e outro, teorizando planos mirabolantes que certamente solucionariam grande parte dos problemas do mundo. Coisas de bar.
A pauta, que já passara por assuntos delicados, desde religião, auto-suficiência energética, auto-suficiência sexual, marcas de pasta de dente, até possíveis moldes deônticos do bar perfeito, começou a adentrar no obscuro terreno da metafísica, quando um dos jovens incautos começa:

- E o cara?
- O cara? Que cara? O garçom? Tem cerveja aí ainda, meu.
- Não, cara. Não to falando do garçom! Falei "o cara", bicho.
- Sei lá de que cara você tá falando, cara...
- Como assim, que cara? To falando "do cara", meu!
- Então... Esses dias picharam no muro do meu vizinho "Eu comi o cara!". É esse, o cara?
- Não, cacete... Nada a ver! To falando do criador! De Deus, seu animal!
- Ah, tá! Saquei. O cara. Mas o que tem o cara?
- Pois então. Tava pensando. Sei não, se esse cara existe mesmo.
- Como assim?
- Ah... Sei lá, meu chapa! Vai que é tudo invenção da rede globo, e o cara nem existe mesmo... Teoria da conspiração, sabe como?
- Ah, meu! Nem comece! Você já tá doidão!
- Doidão? Quem sabe... Mas convenhamos: Não existe nenhum bom argumento a favor "do cara". E nem venha com essa história de "fé"!
- Cara, fé demais não cheira bem!
- Tá engraçadão hoje, hein!? Tomou uma dose a mais de malandrol antes de sair de casa, galã? Comeu palhacitos, é? To falando sério, porra!
- Tá brabinha, nega? Mas então... Claro que existem argumentos. Bom... Devem existir argumentos!
- Por exemplo...?
- Ah, meu... Sei lá! A nanotecnologia, por exemplo! Um bagulho doido! Só Deus pra explicar uma parada assim!
- Tudo bem. Concordo que é um lance de outro mundo, coisa e tal. Mas no fundo, bem no fundo, não passa dum tacape, só que bem pequenininho, saca? Não prova, necessariamente, que "o cara" realmente exista.
- Vendo por este lado, até que você tá certo, meu... Um tacape pequenininho. Boa essa, hein...

Neste exato momento, passa ao lado deles uma moçoila esbelta, bem feita de corpo, de gingado sincopado e ancas largas, na direção do banheiro. Uma boa parideira, por assim dizer.
Por óbvio, dadas as circunstâncias, os dois protagonistas dão um breve intervalo em suas discussões intelectuais, a fim de aproveitarem a beleza da paisagem, quando um deles ainda comenta:

- Olha só... Que pitéu! Se essa mulher peidar num saco de confetes, é carnaval o ano inteiro, camarada!

Três minutos depois, quando eles conseguem parar de rir e recuperar o fôlego, o outro colega comenta:

- Boa! Essa foi muito boa! Da onde tirou essa, meu chapa?
- Ah... Escutei num bar, dia desses, e estava esperando uma boa oportunidade de usar.

O outro, ao dar mais uma checada no produto, que nessa hora voltava do banheiro, concordou, seguindo a presa com os olhos furtivos, num olhar de galanteio:

- Realmente, uma boa oportunidade. Boa. Muito boa mesmo!
- Então, cara! Ta aí a resposta! A mulher! Quer prova melhor do que esta? Só "o cara" pode ter criado um bagulho assim, tão perfeito.
- Hummmm... Realmente, é um bom argumento. Mas não sei não... Não é um troço exclusivo, saca? Todos os bichos têm suas fêmeas, e tal. E além disso, também temos que contar as barangas! Você que o diga, né...
- Ta bom! Agora falou o cara que nunca pegou uma baranga! Até parece...
- Peguei sim... Mas quem nunca pegou? É até bom, pra acabar com a urucubaca, meu! Moranguinho qualquer um come. Quero ver comer jaca podre! Aí tem que ser macho! Mas de qualquer forma, cai por terra o teu argumento, sobre a mulher...
- Verdade... Mas deve ter mais algum bom argumento, meu! É só pensar um pouco. Peraí...
- Pára com isso, cara. Vamos mudar de assunto, que o papo ta ficando sério demais! Vamos falar de coisa melhor! Que tal aquela estagiária nova do financeiro? Eu pegava, facinho, facinho... Já fiz coisa bem pior, e paguei, ainda por cima. E à vista!
- Cerveja!
- Cara, teu copo tá cheio ainda, seu bêbado!
- Não, seu imbecil! A cerveja! Essa é a resposta, não entende?
- Como assim?
- Cara, a cerveja só pode ser um troço divino, saca? Essa cor dourada, esse gostinho meio amargo... Hummmm! Essa é a prova de que Deus existe! Existe, e é gente fina. Só pode ser isso!
- Cacete... Nunca tinha pensado nisso. E sabe duma coisa? Acho que você tá certo, meu! Inspiração divina! Só pode ser...
- Devíamos escrever uma teoria sobre isso! Com certeza ia revolucionar o pensamento ocidental sobre religião!
- Verdade, cara! Mas e o pensamento oriental?
- Pô... Sei lá... Acho que lá só rola saquê, bicho.
- Verdade... Tinha esquecido.
- Mas pra quê tanto? Mudar o pensamento ocidental já tá de bom tamanho, meu! Ainda vamos ser famosos, cara! Tipo o Aristóteles, e esses caras aí, sabe como?

E assim a conversa continuou neste ritmo frenético por mais quinze minutos, até o namorado da moça das ancas largas, renomado professor de jiu-jitsu, pedir educadamente para os dois se retirarem do bar, a fim de evitar maiores constrangimentos. Pensando nos altos custos dos serviços odontológicos, e já demonstrando sinais de cansaço, os dois resolveram se ausentar do local, sem maiores delongas.
Assim que chegaram a seus respectivos lares, dormiram o sono dos justos, inundados com a felicidade plena de quem acaba de descobrir o sentido da vida. Dali pra frente, tudo ia ser diferente. O mundo fazia total sentido, e a resposta era simples: Cerveja.
A alegria foi suficiente para esquecerem que amanhã seria outro dia, dia útil, dia de labuta, e que a ebriedade genial daria vez ao mal-estar agudo, à aversão a luz, e à tontura generalizada, sintomas típicos do castigo divino, chamado ressaca.
Mas não importava. Aqueles instantes radiantes de felicidade extrema eram suficientes para compensar qualquer desgraça vindoura. Embora um ENO também ajude.
Naquele momento, logo antes de serem vencidos pelo sono, este moralista implacável, a vida se fez simples e compreensível. Saborosa e dourada, como uma boa cerveja, numa noite quente e abafada.

*Por coincidência, um ótimo filme.

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quinta-feira, janeiro 17, 2008

Como fazer um convite para churrasco

Como estou com o sono deveras defasado pra escrever algo novo (vide Otto, o pequenino), resolvi publicar os convites que já escrevi para os churrascos com o pessoal da empresa.
Meu nobre confrade Henrique me ajudou a resgatá-los.
Eu mesmo me assustei com a quantidade de asneira que já escrevi pra tentar chamar a moçada pra beber cerveja.
Os endereços e o nome da empresa foram omitidos, para evitar futuras chateações.
Algumas piadinhas podem parecer nada a ver, pois dependiam do contexto da época em questão, mas a maioria é do tipo “genérico” mesmo...
Quem quiser plagiar algum, favor depositar R$ 10 (delão) na minha conta para cada utilização.
Maiores informações: erva@doalem.com
No mais... É isso.

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ASSUNTO: C U I D A D O - MUITO PERIGOSO

Caros companheiros de vida desregrada:

É com uma satisfação incomensurável, e um deleite quase orgástico que venho através desta mensagem, convidá-lo a participar do maior evento já visto abaixo do trópico de capricórnio, só perdendo para a o memorável churrasco promovido pelo Zé da Kombi e o irmão do Meleca, no Toninho's bar do Campina do Siqueira nos idos de 1966, com rolmops na faixa e cocktails* diversos.
Além dos atrativos de praxe, como bungee jump de 76 metros de altura, tequileiras ninfomaníacas, malabares pirofágicos hermafroditas, apresentação de chinchilas adestrados, e testes empíricos dos limites do fígado humano, teremos ainda um saudável torneio da já aclamada prática desportiva "corrida do pingüim".
O menu será adaptado à recente onda do momento: A "dieta líquida", constituída pela maior novidade do ramo de bebidas: Uma revolucionária panacéia fermentada, a base de cevada e lúpulo, chamada na zona do baixo meretrício de "cerveja". Uma bebida que todo pessoal descolado e bacana já está aderindo, e vocês não poderão deixar de provar!
Quem pensa que serão comemorados apenas o aniversário dos 554 anos desde a impressão da primeira bíblia por Gutenberg e os 40 anos de independência de Botswana está muito enganado! Celebraremos também a chegada da vigésima terceira primavera na vida do nosso brioso colega Henrique "punhos de aço" Tschannerl, esse ícone do cenário pornô da Europa Oriental, como um dos primeiros profissionais na prática do onanismo.
Cabe ressaltar que o aniversariante, de maneira perspicaz e arguciosa decidiu resguardar sua integridade física, e comparecerá ao evento com os elásticos de sua roupa íntima devidamente cortados, para que não surjam seqüelas irreversíveis oriundas da saudável brincadeira de "chá de cueca".
O folguedo dar-se-á no dia 30 de setembro (cairá num sábado , para os descrentes e ordinários que ainda se atêm a estas convenções sociais capitalistas dos dias da semana) do corrente ano, a partir das 13:58:31 horas (UCT/GMT -3 horas, horário de Brasília), e tomará parte na prestigiada mansão Tschannerl, que se situa (como já é de conhecimento notório) na rua [censurado]. Para quem realmente não tem o dom divino da autolocalização, ou possui uma mente confusa e perturbada, segue o mapa em anexo.
Parafraseando o grande gênio George Orwell, que já dizia que "todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros" , informo que a contra-prestação pecuniária a ser paga até dia 25 de Setembro diretamente ao Henrique, para os seres que se alimentam de carícias como as abelhas das flores, que fragilmente flutuam e hesitam, que amam ou odeiam, mas nunca escolhem uma terceira hipótese, e que assim como os sonhos, nunca são como você gostaria que fossem (em suma: para as mulheres), será de módicos R$ 5. Para os peludos, é R$ 10,00 (delão).
Cabe frisar que qualquer dúvida quanto sua sexualidade não será em hipótese alguma, motivo para eventuais descontos no referido preço, e qualquer imprecisão ou indefinição será solucionada com testes cromossômicos.
Confirmações póstumas à data de 25 de Setembro só serão aceitas em casos isolados, particulares e restritos, somente para mulheres, com negociações a portas fechadas diretamente com nosso ilustre aniversariante, o senhor Henrique Tschannerl.

Aguardo assim efusivamente sua presença, ansioso na perspectiva de podermos mais uma vez rir à beça e nos divertirmos a valer com piadas jocosas e os mais variados tipos de chacotas.
Sem mais para o momento, despeço-me com a mais sincera aspiração de um bem enorme a todos!!

*Leia-se "rabo de galo" e pinga com limão.

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ASSUNTO: participe do BBB!!!

Caros companheiros de vida desregrada:

É com um prazer incomensurável e uma satisfação quase orgástica que através desta mensagem, queremos convidá-lo a participar da mais nova onda do momento: o primeiro Buyer's Beer Barbecue (também conhecido como BBB).
Este evento tem como objetivo, além do teste empírico dos limites do fígado humano, a comemoração de dois grandes acontecimentos que já marcaram o ano de 2006, e porque não dizer, esta década:
A efetivação do nosso grande e estimado colega, Henrique Tschannerl, e a contratação do novo estagiário de compras, o Sr. Marcos Alfred Brehm.
Boatos dizem que cada um dos famigerados acima citados irá colaborar com uma grade de cerveja em prol da coletividade.
O culto pagão terá início no dia 03 (sábado) de junho do ano de 2006, pontualmente às 13:00 horas. A numerologia da data em questão foi minuciosamente estudada com fins cabalísticos, para que possamos ter um melhor equilíbrio de energias cósmicas durante o evento. É também recomendável o uso de pirâmides, cristais coloridos, duendes (para os quais o pagamento prévio também será necessário), ou quaisquer outras coisas que ajudem a melhorar o feng shui do local.
O local das festividades será a residência do nosso ilustríssimo colega Marcos Brehm (vulgo novo estag de compras), cujo endereço se encontra abaixo ( mapa anexo):
[censurado]
Cerveja em abundância, assim como destilados, refrigerantes e comida, serão ofertados aos presentes, pela módica contra-prestação pecuniária de R$ 10,00 (dé real) por alma. Esta suave taxa (uma verdadeira bagatela!!) deverá ser paga ao senhor Tschannerl (também conhecido como Henrique) até as 17 horas do dia 01 de junho (quinta-feira).
Não haverá nenhuma restrição em relação à indumentária para este evento, desde que esta não ofenda notoriamente a moral e os bons costumes.
De tal modo, almejamos o seu comparecimento para que se possa abrilhantar ainda mais este grandioso acontecimento! Vamos nos divertir à beça e rir a valer !!!
Sendo assim, subscrevemo-nos cordialmente com os mais sinceros votos de sucesso e regozijo.
Um bem enorme a todos!!
Cordialmente,
Marcos e Henrique

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ASSUNTO: A maior unha encravada do mundo

Caros Jovens:

É com uma satisfação imensa que convidamos a sua ilustre pessoa, através deste singelo e-mail, para mais um evento de ordem mediúnica, em comemoração aos 479 anos da coroação do rei Gustav primeiro, da Suécia.
Sem contar os malabares pirofágicos e a decoração flúor, teremos cerveja, caipirinha e carne assada. E se alguém lembrar, vai ter refrigerante também (provavelmente um gasosão genérico, que é mais barato).
O evento dar-se-á no dia 12 de Janeiro (sexta feira), logo depois do período diário de labuta (17h), na própria churrasqueira da [censurado] (não tem desculpa, viu moçada!!).
As respectivas contra-prestações pecuniária s serão de módicos R$ 15 por peludo, e R$ 10 por cheirosa (quaisquer inconsistências na definição de "masculino" não serão motivos para eventuais descontos). A efetivação do pagamento dará direito a todos os quitutes acima relacionados, pelo tempo que perdurarem os estoques.
Os pagamentos deverão ser feitos em espécie até o dia anterior ao evento (quinta, 11/01), para qualquer membro da trupe organizadora.
No mais, é isso aí. Qualquer dúvida, falem com a gente.
Um bem enorme a todos!
Cordialmente,

Amauri
Henrique Tschannerl
Marcos Brehm

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ASSUNTO: whisky irlandês por 10 reais a garrafa

Caros compatriotas da gloriosa república federativa do samba:

É com imensa satisfação que venho através deste e-mail, convidá-los a participar de mais um evento etílico-proteico de proporções épicas.
O festejo tomará parte nas próprias dependências da [censurado], na já consagrada churrasqueira do campo de futebol, a partir das 10h do próximo sábado (10/03/07).
Mesmo indo contra todo e qualquer princípio de uma vida saudável, alguns colaboradores participarão também de uma perigosa prática: O ESPORTE (no caso, um futebolzinho).
Embora a prática esportiva notoriamente gere severos riscos à saúde, e não seja nem um pouco recomendada (vide o trágico caso do saudoso Bussunda), alguns arriscarão a própria vida em nome do vício do jogo...
Obviamente, também não há de se existir tanto rigor assim em relação ao combate à prática esportiva, pois existem algumas exceções, como por exemplo, o truco e a sinuca: Esportes para os quais, tomadas as devidas precauções (como a execução de alongamento muscular e aquecimento), não há tanto risco de danos ao organismo.
Contudo, a vida é feita de escolhas e não podemos discriminar os colegas que se arriscam no perigoso mundo dos esportes. Cada um com seus respectivos vícios...
Entretanto, para aqueles que se demonstrarem sensatos, haverá carne e cerveja em abundância no conforto da sombra. Pois como já é de conhecimento notório, o melhor do sol é a sombra.
Afinal de contas, a sombra, ao contrário do sol (que nasce para todos), nasce só para os mais espertos.
Assim, fica o aviso: Quem preferir arriscar a saúde para jogar aquele futebolzinho aparentemente inocente, que venha com indumentária adequada. Quem preferir ficar à sombra, que venha apenas com a alegria de viver e muita vontade para apreciar as coisas mundanas.
Como até nas rosas há espinhos, e nem tão doce é a vida, exigir-se-á uma contraprestação pecuniária de cada participante, no montante de R$ 10,00 (dérreal), a ser paga impreterivelmente ao senhor Henrique Tschannerl ou Allan até sexta-feira (09/03/2007).
Sem mais para o momento, subscrevo-me cordialmente, e certo de sua compreensão, com um efusivo abraço e a mais sincera aspiração de um bem enorme para todos!

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ASSUNTO: "o que fazer com um repolho, durante o carnaval"

Devassos compatriotas:

É com os corações transbordantes de satisfação, que vimos a convidá-lo(a) para mais uma empreitada etílico-protéica de ordem mediúnica.
Após o tremendo sucesso do último evento, com a participação de mais de 8 pessoas (nove, ao todo), temos o prazer de anunciar mais um churrasco, que tomará parte na própria churrasqueira da [censurado], e dar-se-á ao fim do período de labuta (17h), nesta próxima sexta feira, dia 26 de janeiro. Data esta muito especial, pois comemoraremos a maioridade do aclamado flautista Chinês, Jin Yu Zhou.
Como de praxe, teremos os mesmos malabares pirofágicos de sempre, e continuaremos a discussão sobre as obras dos grandes mestres da literatura de Timor-Leste, do período renascentista (e vice-versa).
O evento será regado a muita cerveja e proteína animal. Refrigerantes e afins terão seu volume de compra drasticamente reduzido, devido a constatações empíricas do último evento, além de serem notórios agentes causadores de Lipodistrofia Ginóide.
A contraprestação pecuniária será novamente de módicos R$ 15,00 por varão ou R$ 10,00 por "princesa", a ser paga impreterivelmente até as 17 horas do dia 25 de janeiro de 2007, para qualquer "membro" da comissão organizadora.
Sem mais para o momento, contamos com sua participação, para que mais uma vez possamos rir à beça e nos divertir a valer, com as mais diversas piadas jocosas e chacotas saudáveis.
Despedimo-nos assim, com um efusivo abraço!

Amauri, Henrique Tschannerl e Marcos Brehm

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ASSUNTO: "1001 maneiras de se divertir com um porco"

Caros libertinos:

É com um imenso (embora o tamanho não seja tão importante) prazer, que vimos através desta mensagem, convidá-lo para participar de mais um evento etílico-protéico, a fim de que mais uma vez, possamos rir à beça e nos divertirmos a valer com brincadeiras vexatórias, chacotas de todos os tipos, e claro... Piadas de duplo sentido!
O evento tomará parte no Regis Grand Palace Saloon (salão de festas do AP do Régis, em bom português), que fica situado no logradouro abaixo (mapa em anexo):
[censurado]
Fica na esquina com a Nossa Senhora da Luz a 5 minutos de carro da [censurado]
As festividades terão início por volta das 13:00 horas (horário de Brasília, GMT -3h) e serão sumariamente finalizadas sem qualquer possibilidade procrastinatória, exatamente num certo horário, ainda incerto e não sabido.
Será servida aos convidados, uma deliciosa feijoada (assim como seus devidos acompanhamentos), magistralmente elaborada pelo consagrado Chefe de cozinha e coreógrafo: Alzenir, o lépido.
Obviamente teremos uma ambulância de plantão, a fim de cumprir as normas NBR da CIPA para eventos com feijoada, materiais tóxicos e insalubridades correlatas.
A contraprestação pecuniária será de módicos R$ 15,00 para os peludos e R$ 10,00 para as princesas (não conformidades aos bons costumes sociais em relação à depilação, não serão considerados motivos para eventuais descontos), a ser paga impreterivelmente até as 17:30 horas do dia 24 de maio de 2007, vulgo "quinta que vem".
Para efetuar o pagamento, favor procurar o Alzenir (em Colombo) ou o Henrique Tschannerl (no Tarumã).
A fim de resguardar o decoro do nosso colega Alzenir, comentários sobre coreografias, danças exóticas sensuais, importância do balé clássico na juventude, ou qualquer assunto relacionado, não são recomendados durante o evento (viu Alzenir? Não vamos deixar que tirem sarro de você!).
Dúvidas? Favor falar com o Sr. Alzenir "Saturday Night Fever" dos Santos, ou com o Sr. Henrique "punhos de aço" Tschannerl. Se estes ainda não conseguirem responder, tente o Sr. Marcos "fecundo" Brehm. Só não leve dúvida pra casa, que é pior.
Sem mais para o momento, subscrevemo-nos cordialmente, certos de sua compreensão, e desde já, aguardando ansiosamente sua presença.
Um bem enorme a todos!
Alzenir, Henrique e Marcão.

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ASSUNTO: convite churras

Ilustres colegas:

É com uma satisfação incomensurável que venho através deste singelo e-mail, convidar todos os senhores a participarem de mais uma bazófia etílico-protéica de proporções épicas.
O evento será realizado nesta sexta-feira, dia 18 de Janeiro de dois mil e oito na churrasqueira da [censurado], logo após o rotineiro e habitual período de costumeira labuta cotidiana do dia-a-dia.
Em suma, depois das dezessete horas (horário de Brasília, GMT -3h) já teremos umas ampolinhas bem geladas do afamado néctar espumante cor amarelo-ouro (vulgarmente chamado de cerveja) esperando pelos senhores.
Há quem diga que também haverá churrasco e refrigerantes diversos, mas ressalvadas as devidas prioridades, não há como saber ao certo.
Aos jovens incautos, praticantes crônicos do velho e rude esporte bretão, cabe ressaltar que as atividades desportivas terão início no horário supra-citado. Assim, é de mister que estes se munam da indumentária pertinente à prática desportiva (vulgo “kichute e carçãozinho do parmera”).
Cabe ainda ressaltar que o risco de contusões durante a prática deste tipo de esporte é altíssimo, se comparado à semi-olímpica modalidade de “levantamento de copo”. Assim sendo, para os que desejam praticar algum esporte de equipe sem arriscar a integridade física, haverá a possibilidade para a prática de uma saudável partida de truco.
A contraprestação pecuniária para que os colaboradores possam desfrutar de bons momentos, rindo à beça e se divertindo a valer com seus colegas neste grandioso evento, será de módicos dez reais (delão) a serem pagos diretamente ao Sr. Henrique Tschannerl, no departamento de compras, impreterivelmente até o meio dia de amanhã, sexta-feira, dia dezoito de Janeiro. Também se faz necessária a confirmação de presença junto aos colegas Alan (Colombo) e Amauri (Curitiba), para que se possa fechar a lista dos famigerados que irão permanecer na empresa durante o evento.
Sem mais para o momento, subscrevo-me cordialmente, certo de sua atenção,

Presidente

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ASSUNTO: churras

Caros companheiros de libertinagem:

É com uma satisfação incomensurável que vimos através deste singelo e-mail, convidá-los para mais um evento de ordem etílico-mediúnica que acontecerá pelos arredores da churrasqueira da [censurado], no próximo dia 21, sexta-feira, logo após a habitual rotina cotidiana diária de labuta.
Porém, ao contrário do que os senhores devem estar pensando neste exato instante, este não será apenas um evento em comemoração aos 43 anos da independência da pequena ilha de Malta. Ledo engano, companheiros:
Comemoraremos efusivamente, a realização de uma grande aspiração de nosso estimado colega Felipe “malvadeza” Pedrosa, este ícone da vida desregrada e grande personalidade do movimento neo-epicurista brasileiro.
Desde os tempos de infância, este pequeno notável (que na época carregava a alcunha de “Felipinho, o sagaz”) sempre sonhou em ingressar na “Royal Canadian Mounted Police”, também conhecida pelos nossos pastos como “polícia montada canadense”.
Este jovem tão idealista, nunca parou de imaginar-se cavalgando pelas florestas canadenses a proteger os fracos e oprimidos, trajando aqueles trajes tão peculiares: o chapeuzinho esquisito, o tradicional casacão vermelho cheio de insígnias, as botas até o joelho e até mesmo aquelas calças apertadas, com umas abas bem estranhas nas laterais. Para ele, uma combinação extremamente fashion.
Até que enfim a espera chegou ao fim, e o sonho de infância está cada vez mais próximo! Sai de cena Felipão malvadeza, para dar vez à Phillip, the gentle Canadian.
Como não poderia deixar de ser, embora Phillip já tenha se mostrado disposto a patrocinar o evento com ao menos uma grade de néctar (as famosas ampolinhas de cevada liquefeita), ainda se fará necessário uma contra prestação pecuniária, a ser desembolsada previamente pelos convidados (num valor simbólico de R$10 (delão)) e paga em espécie diretamente ao mesmo, até a manhã da véspera do evento (quinta-feira, 20/09): Isso é extremamente importante para que as devidas ações logísticas possam ser tomadas em tempo hábil, a fim de termos os quitutes de sempre: proteína animal e bebidas fermentadas em abundância.
Assim, contamos com as suas presenças, a fim de nos despedirmos deste jovem tão notável de modo saudável e singelo: Bebendo cerveja às expensas do próprio, e ainda agradecendo com um incisivo chá de cueca (de praxe).
Sem mais para o momento subscrevemo-nos cordialmente, certos de sua compreensão, com o mais sincero anseio de um bem enorme a todos!!

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