segunda-feira, janeiro 07, 2008

Carta aos Ets – Parte dois

Continuação da carta aberta a todos os seres da espécie que vier a habitar este planeta num futuro longínquo ou próximo (o que acontecer antes), ou que estiverem por aqui de passagem.
Pra quem perdeu a primeira parte: http://castor-ensimesmando.blogspot.com/2007/11/carta-aos-ets.html

Parte dois.

Como vocês devem ter percebido, nós humanos temos alguns costumes tanto quanto desconexos, que muitas vezes beiram o limiar sutil que separa a coerência lógica do perigoso ramo da bazófia.
Sem exceção, todos os seres humanos, ao menos até o presente momento, nasceram ou estão por nascer pelados. No entanto, depois que um rapaz chamado Adão comeu a maçã duma moça chamada Eva (aliás, uma maçã muito boa de ser comida), convencionou-se que todos deveriam usar roupas durante o resto da vida. Acredito que esta tenha sido uma decisão assaz estranha, como a maioria das coisas que acontecem por aqui.
De qualquer forma, também uso roupas, ao menos em público, a fim de me misturar com os demais.
“Roupa” nada mais é do que um tipo de carapaça artificial, na maioria das vezes fabricada num país chamado República Popular da China, que além de servir como adorno para atrair parceiros sexuais (embora algumas vezes a falta desta possa dar melhores resultados), serve também para nos protegermos de intempéries climáticas, e principalmente, para esconder as partes do corpo que foram convencionadas a serem escondidas, desde que houve o entrevero com Adão, Eva, e a tal maçã.
Há ainda um pessoal, que se identifica muito mais com a figura do arco-íris do que com a maçã, que afirma categoricamente que os personagens eram, na realidade, Adão e Ivo. Porém, assim como eu, a maioria (não sei até quando) das pessoas ainda é partidária da primeira hipótese.
Embora o homem seja notoriamente (ao menos na opinião do próprio homem) a espécie mais predadora do planeta, existem certas formas de vida que ainda não conseguimos exterminar, como por exemplo, o pequenino vírus da imunodeficiência humana, causador de uma doença chamada síndrome da imunodeficiência adquirida, vulgo AIDS.
Por um acaso do destino, o vírus é um dos menores seres vivos que o homem conhece. Algumas pessoas afirmam que os vírus não podem nem ser considerados seres vivos, mas particularmente, acho que é pura inveja.
Não há como negar que alguns vírus trazem certo incômodo à humanidade. Até porque, a AIDS, até que se prove o contrário, causa a morte prematura do portador, não tem cura, e também é transmitida sexualmente. Logo, trata-se de um grande inconveniente.
De qualquer forma, há de se considerar que este problema não é tratado com muito afinco, pois atualmente esta mesma humanidade tem outros problemas de maior relevância, como por exemplo, a disfunção erétil.
A disfunção erétil é um problema que atinge algumas pessoas do sexo masculino, e causa basicamente, certos constrangimentos no momento da realização do ato sexual, ao menos quando este é feito de modo convencional.
Embora ultimamente a disfunção erétil exija uma maior concentração de recursos globais, assim que esta doença for definitivamente resolvida, provavelmente os esforços serão direcionados às demais doenças críticas da lista, tais como a frigidez feminina, a abstinência alcoólica, a acne, a unha encravada, ou até mesmo a AIDS ou o câncer.
Pelo menos, assim espero.

Continua...

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quinta-feira, novembro 08, 2007

Carta aos ETs - parte um

Carta aberta a todos os seres da espécie que vier a habitar este planeta num futuro longínquo ou próximo (o que acontecer antes), ou que estiverem por aqui de passagem.

Parte um.

Espero que vocês não tenham maiores dificuldades para interpretar o código de escrita utilizado no intuito de transmitir esta mensagem (chama-se português). Até porque, se não o interpretaram, não poderiam estar lendo esta frase ou mesmo a anterior, sendo ambas, portanto, de uma imbecilidade assustadora. De qualquer forma, é bom que mantenham em seus espíritos um nível de imbecilidade razoável durante a leitura destas linhas, pois a matéria em análise nesta ocasião trata justamente das preocupações cotidianas da raça humana.
Estamos no ano de dois mil e sete, contados a partir no nascimento dum cara que se chamava Jesus. Não o conheci, mas pelo que me consta, era boa gente. Anos, meses, dias e segundos são unidades de medida para uma coisa chamada tempo. Tempo, é basicamente uma mania que temos de ficar continuadamente contando os períodos da radiação correspondente à transição entre dois níveis hiperfinos do estado fundamental do átomo de césio 133.
Para que os senhores possam entender eventuais distorções nas percepções deste que vos escreve, com a devida vênia, gostaria de me apresentar.
Meu nome é Marcos, mas não é raro ver alguém me chamando por alcunhas como Castor, Moicano ou Rosado, e até mesmo de outras formas quando em expressões genéricas, tais como: ‘Aquele cara alí’, ‘Ei, você aí!’ ou ‘O senhor vai pagar como?’.
Sou nativo de um planeta muito peculiar, que os demais de minha espécie (homo sapiens sapiens) chamam de Terra e dividem e sub-dividem das mais bizarras formas, entre estas, ressalta-se a separação em nações, que são definidas (mediante violência ou grave ameaça) por limites territoriais. A nação cujos limites territoriais eu estou habitualmente inserido, chama-se Brasil.
O Brasil é uma nação não auto-administrada cuja atual gestão é responsabilidade, ao menos em teoria, de um senhor chamado Luís. Luís, que já passou muito tempo na chamada reserva de trabalho, está neste emprego apenas provisoriamente: seu ramo de atuação é, na realidade, a metalurgia. Assim, não convém alongar quaisquer explanações sobre Luís. Continuemos.
Dentro desta nação, existem mais divisões, que se chamam estados, que por sua vez, são divididos em municípios, que são divididos em bairros, constituídos de diferentes ruas, devidamente separadas em lotes, com seus respectivos números. Minha espécie tem uma verdadeira compulsão por criar divisões, rótulos e demarcações. Aparentemente, esta é uma característica da nossa natureza.
Vivo num município que ostenta um nome curioso: Curitiba.
Curitiba é uma cidade grande, mas nem tanto. Tem clima ameno, mas nem tanto. Tem algumas coisas interessantes para se fazer, mas nem tantas. Ao menos, é possível encontrar aqui uma bebida muito saborosa, chamada cerveja. Espero que vocês possam conhecer um dia. A cerveja, não Curitiba.
Curitiba é um local predominantemente encoberto por nuvens cinzas, que passam quase despercebidas pela maioria da população, que desperdiça cerca de cinco sétimos do seu tempo dormindo, ou então, entocada nas escolas, empresas, apartamentos, e preferencialmente em shopings (lugares indiferentes à cor do céu), no intuito se encontrarem para então, curiosamente, não se comunicarem umas com as outras. Nos outros dois sétimos do tempo que resta, algumas vezes saem da toca, para não se comunicarem reunidas em parques públicos.
As crianças da minha espécie, que a propósito, é a predadora mais voraz do planeta, são treinadas desde pequenas para terem muito medo, pensarem o mínimo possível, e sempre se arrependerem após qualquer divertimento. Isso tudo, para que se instaure um nível mínimo de ordem no planeta. Ordem esta, aliás, muito interessante para alguns. Para os outros, que não são alguns, não.
Continua...

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