segunda-feira, abril 14, 2008

Não te quero mais!

Porque você está assim?
Bem hoje! Justamente quando eu mais precisava de você radiante, vistosa e alegre!
Depois de toda a alegria destes dois últimos dias, você me vem com esse jeito triste e cabisbaixo...
Depressiva, amarga e fria, como quem desistiu de encontrar a felicidade.
Se soubesse quantas almas padecem pelo seu proceder, não faria isso.
Se soubesse o quanto é importante que se mostre alegre e cheia de vida, mesmo que no íntimo não o seja, não faria isso.
Se fosse amanhã, eu entenderia. Mas no amanhã tudo será ontem, e hoje você já estragou tudo.
Sei que sempre tivemos, e ainda temos uma relação conturbada, um passado de encrencas e chateações.
Um passado de tantas maledicências, que, confesso, foram de minha parte, embora, convenhamos: Você fez por merecer...
Mas, ainda que não seja escusa, afirmo categoricamente que não fui o único a te maldizer, minha querida!
Se só eu te abominasse, tudo bem... Entenderia.
Mas notoriamente tantos outros (e outras!) te contestam, te odeiam e te querem mal.
Assim, só posso concluir que o problema é com você. Não comigo.
A culpada de toda essa desgraça é você mesma! Assuma!
Quem estragou o dia, já amanhecendo gris e depressiva foi você!
E não adianta vir com a velha história, de que é apenas uma vítima das circunstâncias, que não tem culpa, ou que não queria que fosse assim!
É assim e assim será. E repito: Por culpa exclusivamente sua.
A verdadeira vítima sou eu, que tem que enfrentar essa birra tosca e infantil, que te faz insistir num desânimo assombroso, e não leva nada a lugar nenhum...
Portanto, já não tenho mais como não ser rude, e decidi agora ser sincero, e falar o que já estava há muito tempo entalado na minha garganta:
Segunda feira, eu te odeio.

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terça-feira, outubro 23, 2007

Chove, mas não molha

Falar sobre o tempo não é necessariamente um desperdício deste.
Consagrou-se como um assunto que sugere certo ócio nada criativo, embora haja neste tema, uma certa magia inegavelmente profética. Às vezes inútil, mas ainda assim reveladora:
- Bom dia, companheiro! Tudo na ordem regular dos acontecimentos?
- Bom dia, jovem! Tudo tranqüilo!
- Será que chove hoje, Valentim?
- Hoje chove. Pode ter certeza.
Dito e feito. Melhor que o SIMEPAR.
Ultimamente, já completo o diálogo com um:
- E que horas?
Nunca se sabe quando um guarda-chuva, uma capa, ou um agasalho será necessário por aqui. Curitiba é uma cidade que sofre de transtorno bipolar climático.
Um tipo de esquizofrenia geográfica. Há quem diga que é culpa do Feng Shui. Vai saber...
De qualquer maneira, é altamente estratégico prever o tempo numa cidade que amanhece a 0°C e geada, meio dia brilha o sol e a temperatura sobe pra para 30°C, e de tarde chove só pra dar uma lição naqueles que ousam sair antes das dezoito horas para evitar o trânsito: Devidamente molhados, terão que enfrentar um fim de tarde cinza, um frio repentino e conseqüentemente, um resfriado.
Tudo bem... Há um certo exagero. Na maioria das vezes o céu só fica cinza o dia todo. Há de se defender Curitiba: É uma excelente cidade pra quem gosta de cinza.
Propícia à poesia depressiva e ao suicídio.
De qualquer forma, falar sobre o tempo é algo interessantíssimo.
Pois afinal de contas, nem todos acertam as previsões. A maioria é como eu: Picareta.
O sol brilha, e as nuvens são raras. Mas não interessa:
É só fazer ares de entendedor, e largar aquele chute. Pior que chute, uma canelada de zagueiro dentro da área na direção do gol (improvável, mas não impossível):
- Acho que vai chover.
Pra completar, o cidadão dá uma respirada, vê a inclinação do sol e a direção do vento e arremata:
- Daqui a pouco. E vai ser granizo. Vou sair antes que o trânsito fique impossível.
Se nem chover, os outros vão pensar: “E quem entende esse tempo doido?”. Mas se chover... Ah, se chover granizo... Se chover granizo, o cidadão passa facilmente por druida, de poderes mediúnicos. O novo profeta da cidade.
Logo, tem-se aí, uma chance de estrelato instantâneo sem grandes esforços. Olhe pro céu e faça uma fé, que pode funcionar.
O problema mesmo é quando há dois ou mais profetas. Aí surgem os argumentos, que facilmente perdem o rigor científico:
- Claro que esfria... Esse vento do sul não me engana. Até o pé-de-limão já tá florescendo.
- Besteira, hoje é dia do padroeiro de Pirapora do Bom Jesus. Não chove nem fodendo.
Assim, muitos recorrem a argumentos técnicos:
- Pode até chover. Mas chuva rápida. Trata-se de uma nuvem da raça cumulus nimbus calvus, de densidade mediana.
Como é fato notório que apenas uma pequena e perturbada parte da população conhece as nuvens por seus nomes científicos, dificilmente alguém retrucaria. A não ser, para dar um blefe maior ainda:
- Claro que não, seu imbecil. A cor avermelhada da luz do sol sugere um ambiente rico em sulfato, o que nem em sonho, cria uma cumulus nimbus calvus! Obviamente, trata-se duma cumulus nimbus incus.
Daí pra frente, tudo pode acontecer. Inclusive nada.
Será que chove hoje?

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